Minha trajetória profissional na Informática em Saúde relacionada a Auditoria

December 10, 2018

Algumas pessoas têm me perguntado sobre cursos e pós-graduação na área de informática em saúde, por esta razão achei interessante compartilhar um pedaço da minha trajetória profissional e quem sabe estimulo mais pessoas a se aprimorar nesta área, principalmente os auditores.

 

Quando a informática em saúde entrou na minha carreira? Tudo começou em 2009 quando estava me especializando em Auditoria em Enfermagem e precisava escrever meu TCC. Nunca me esqueço quando minha professora de metodologia, Kazuko, disse que devíamos escrever sobre algo que nos provocasse uma tensão. Foi aí que tive a ideia de fazer uma pesquisa de campo com três hospitais grandes de São Paulo para saber se já tinham algo informatizado na pré-análise das contas hospitalares, porque a planilha a mão, a famosa planilha dos pauzinhos me incomodava muito, e na época estava trabalhando no Hospital São Luiz e lá eu já “incomodava” minha gestora para fazermos algo diferente do manual porque o sistema permitia exportar os dados para uma planilha de excel, mas tinha que “limpar” porque vinha muita informação, mas já era bem melhor que o manual. Este trabalho foi submetido ao Congresso Brasileiro de Informática em Saúde, CBIS 2010, “Instrumentos para a realização da pré-análise de contas hospitalares por prestadores de saúde” , mas uma pena que não publiquei em uma revista científica.  Neste mesmo ano comecei a me envolver com os eventos de informática em saúde promovidos pela SBIS e com as publicações científicas da área por conta do TCC e foi aí que “conheci” as feras desta área e a me interessar ainda mais. Logo que conclui a pós fui convidada pela coordenadora da São Camilo, na época a Nilza (acho que comentei sobre ela para vocês, uma pessoa que sempre acreditou no meu potencial e me ajudou muito). Então como professora de pós, em uma conversa com a Nilsa, ela comentou que não tínhamos profissionais auditores com mestrado e que isso faria muita diferença, além de poder ajudá-la nas orientações com os alunos. Foi aí que me interessei em fazer o mestrado, na época estava trabalhando na CNU e já tinha uma tensão lá que me incomodava nas minhas atividades (demorava para encontrar as informações nas bulas dos medicamentos oncológicos e muitas vezes nem encontrava) e que foi meu tema de pesquisa do mestrado ( vou falar mais sobre ele abaixo). Estimulada a fazer esta pesquisa, em um dos eventos da SBIS, tomei coragem e fui falar com a professora Heimar, minha futura orientadora (para quem não conhece é um dos maiores nomes na área). Ela foi super atenciosa e me pediu para marcar uma reunião com ela na Unifesp para eu apresentar meu projeto de mestrado. Tive a grande sorte, dela gostar da ideia e me aceitar. Na época tinha menos concorrência, então não precisei fazer prova para seleção. Fiquei no probatório quase 1 ano (normal é 6 meses, mas tinha que esperar vaga para ingressar no mestrado). Meu mestrado foi em Gestão e Informática em Saúde em que desenvolvi e a avaliei o "Oncoaudit" , um sistema de medicamentos oncológicos para auxiliar os auditores. Confesso para vocês que este mestrado não foi fácil, passei por muitas dificuldades entre elas: Escolhi um tema que não conseguia relacionar com publicações internacionais, já que a auditoria daqui é bem diferente dos outros países. Quase não consegui concluir porque a banca não aprovou por não conseguir referências internacionais e minha orientadora teve que trocar os membros por outras razões também, mas aí tive a honra de ter como novos avaliadores {Prof. Dra. Heloisa(USP) e Prof. Dr Daniel Singulem(Unifesp)} que entenderam que era uma inovação na área de auditoria. Quando fui aprovada foi um dos momentos mais felizes da minha vida. Infelizmente o Oncoaudit não está mais disponível, pois houve uma mudança no servidor da Unifesp.  Ainda nesta fase submeti um artigo no CBIS 2012 “Sistema de consulta de medicamentos quimioterápicos para auditores em saúde”, enviamos o trabalho “Oncoaudit: Antineoplastic Drugs Mobile Application” para sessão pôster em 2014, no NI2014 – 12th International Congress on Nursing Informatics e em 2015 foi publicado o artigo científico “Tecnologia da Informação e Comunicação na Auditoria em Enfermagem no JHI.

 

O mestrado me abriu portas e comecei a ser chamada para dar cursos e aulas de informática aplicada a auditoria, algo inovador para enfermeiros auditores já que esta disciplina é ministrada na maioria por profissionais da TI. Primeiro na São Camilo, depois Unoeste e também desenvolvi o curso para Fundação Unimed “ Tecnologia da informação aplicada à auditoria em saúde” Também comecei a oferecer cursos pela minha empresa relacionada a esta área ( Informática aplicada a Auditoria em Saúde e PEP e digitalização: integridade e segurança dos dados ) para o ano que vem quero poder ajudar a formar os auditores neste assunto e estou me preparando pra isso, então com certeza teremos novidades em breve.

 

 

 

No início deste ano com a intenção de ingressar num doutorado, me encontrei com Alexandre Chiavegatto, professor da USP , para falar da minha ideia de desenvolver algo relacionado a machine learning na auditoria, mas na nossa conversa percebi que precisava me preparar mais. Foi aí que comecei a procurar especializações nesta área. A princípio ia fazer a pós-graduação do Hospital Albert Einstein “Data Science e informática para área da saúde” ,mas fui em um evento da FIAP e descobri o MBA Health Tech. Sempre quis estudar nesta escola, mas os cursos eram muito técnicos, então tive que escolher entre estas duas pós. “Estudei” o conteúdo das duas e optei pelo MBA da FIAP que estaria muito mais aliado com meu objetivo de aprendizado, já que a do Einstein quase todo o conteúdo já tinha aprendido no meu mestrado. O aprendizado que estou tendo neste MBA está sendo simplesmente fantástico e com certeza me proporcionando muito mais conhecimento e oportunidades.

 

No segundo semestre deste ano tive a oportunidade de falar no congresso da ABEA sobre “Como os Avanços da Tecnologia da Informação impactarão nas atividades dos Auditores" e escrever o capítulo do manual deles falando sobre “Prontuário Eletrônico do Paciente e a Auditoria em Saúde”

 

Em setembro com muitas ideias na cabeça e com a intenção de mostrar este universo para os auditores e as inúmeras oportunidades, promovi pela minha empresa o I Fórum Vamos Transformar a Auditoria em Saúde: relação com as novas tecnologias. Foi um evento de muita repercussão e consegui passar a mensagem que queria. Conheci novos profissionais e empresas de tecnologia e este evento me abriu novas oportunidades. Aproveitei para ampliar as áreas de atuação pela minha empresa (consultoria em TI) e hoje sou consultora em uma das empresas que participaram do fórum para aprimorar o sistema de inteligência em contas hospitalares, Dr Marvin. Desde que conclui o mestrado meu sonho era atuar em empresas de TI que desenvolvem ou querem desenvolver algo relacionado a auditoria, mas que nunca tive oportunidade, acredito porque não era o foco destas empresas a área de auditoria, mas agora me sinto muito privilegiada, na verdade tudo isso é fruto de tudo que construi na minha carreira. Isso é algo pioneiro na minha área e acredito que abrirá oportunidades para mais enfermeiros e médicos auditores, mas para isso precisam de muito preparo. Precisamos de profissionais com um conhecimento técnico muito abrangente, além do conhecimento em TI.

 

Desde 2009 tenho tentado propagar a relação da informática em saúde na auditoria, tenho estudado bastante e hoje me pego refletindo o que devo estudar e até que nível nesta área de TI devo me aprofundar. Está tudo muito novo para nós auditores e finalmente as empresas começaram a ver oportunidades nesta área, que por sinal são muitas. Temos muito a inovar e aplicar. 

 

Então, para você que gosta da área vá com calma, não saia fazendo qualquer ou todo curso relacionado a TI. Acredito que temos que trabalhar junto com os profissionais de TI, matemáticos e outros profissionais da saúde. Percebi que talvez não precise fazer um curso para aprender a programar, aprender a fundo estatística, cada profissional tem suas competências, claro que se tiver mais isso será um grande diferencial.  É como querer que os profissionais da TI aprendam a auditar ou aprendam a fundo sobre medicina ou enfermagem. Temos que nos complementar. Tenho sim que ter noções básicas, mas tome cuidado com o nível de aprofundamento na área seja em nível de mestrado, doutorado, especializações ou cursos de extensão, aconteceu comigo. Após minha saída da Unimed Paulistana, fui em busca de um novo emprego como enfermeiro auditor e quando passava por processos seletivos, as psicólogas e os gestores me achavam com competências muito acima das vagas por conta do mestrado e a publicações científicas.  Me tornei um profissional diferenciado e como chamam de “highly qualified ”. Mas graças a esta dificuldade me tornei uma empresária e agora consultora e com isso posso me aprimorar cada dia mais. Mas se você quer continuar como CLT pense a respeito, pois o mercado hoje não vai te pagar pelo tanto que se aprimorou, você será um profissional caro. Talvez este cenário mude com a incorporação de inteligência artificial, que na minha visão precisaremos de profissionais super qualificados em auditoria e o conhecimento em TI com certeza será um grande diferencial. 

 

Também como conquista este ano, Kiatake me convidou para fazer parte da diretora da SBIS e espero poder agregar, quem sabe até montar um grupo de estudos com auditores e profissionais de TI para podermos compartilhar experiências e transformar a área.

 

Com relação a nossa formação espero ter ajudado um pouco relatando minha experiência e o que alcancei, o que acredito que muitos nem imaginavam pelo que passei, mas que também não deve ser considerado um modelo de trajetória porque a área de informática em saúde já mudou bastante e precisamos pensar com nos preparar para o futuro. Estou bastante reflexiva quanto a nossa formação e em tentativas de acertos e erros vou me moldando a necessidade do mercado e do que me faz feliz.

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